Março Lilás: como se prevenir do câncer do colo de útero

O mês de março abriga o Dia Internacional da Mulher, data que celebra as conquistas e sinaliza a necessidade de discussões e ações voltadas à equidade de gênero. Também discute-se a prevenção do câncer do colo de útero, no que ficou conhecido como Março Lilás.

Chamando a atenção para esta doença que acomete as mulheres com útero, o câncer do colo de útero é o terceiro, dentre os tipos de cânceres, que mais acomete as mulheres brasileiras. Em 2020, foram diagnosticados 17 mil casos.

Decorrente da infecção pelo vírus do HPV (Papilomavírus Humano), o Março Lilás conscientiza sobre a prevenção do câncer do colo de útero, informando sobre a doença e fomentando a discussão sobre a importância do uso de preservativos nas relações sexuais e esclarecendo dúvidas a respeito das ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

Neste artigo explicaremos sobre o que é o câncer do colo de útero e como preveni-lo, focando na importância da vacina contra o HPV.

Boa leitura!

O que é o câncer do colo de útero?

O câncer cervical, como também é conhecido o câncer do colo de útero, é uma doença, inicialmente, assintomática, causada pela infecção persistente do vírus do HPV, o Papilomavírus humano. Ou ainda, por conta de outras ISTs, tabagismo e várias gestações.

Sexualmente transmissível, o HPV provoca alterações celulares responsáveis pelo desenvolvimento do câncer no colo do útero. Apesar de grave, o Papanicolau regular previne contra a doença, ao identificar as alterações na região genital.

Estima-se que 80% das mulheres, sexualmente ativas, sejam ou serão portadoras do vírus, porém cerca de 5% destes casos evoluirá para o câncer do colo de útero. Já que, na maioria, a cura ocorre espontaneamente, e um número pequeno de mulheres desenvolve lesões chamadas Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC).

Sintomas

A ausência de sinais na fase inicial da doença dificulta sua identificação, tornando a campanha do Março Lilás de extrema importância, já que alerta para os sintomas secundários, instrui sobre os exames de prevenção e o uso de preservativo.

Os sintomas da infecção pelo HPV que podem levar ao desenvolvimento do câncer do colo de útero aparecem quando a doença já está mais avançada. Progresso este que é lento, podendo levar até 20 anos para evoluir completamente. Por isso é importante ficar atenta aos seguintes sinais:

  • Dores abdominais, envolvendo intestinos e sistema urinário;
  • Sangramento vaginal;
  • Sangramento após relação sexual;
  • Secreções vaginais incomuns;
  • Menstruação irregular;
  • Cansaço;
  • Perda de peso sem motivo aparente;
  • Náuseas e enjoos.

Quais são os exames preventivos e como funcionam?

O Papanicolau é o exame que detecta a infecção pelo HPV e o desenvolvimento do câncer do colo de útero. Realizado em poucos minutos, a análise indica se houve infecção ou variação nos tecidos, a partir da coleta de células do colo do útero.

Indicado a mulheres com mais de 25 anos com vida sexual ativa, o Papanicolau é oferecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e deve ser feito em intervalos de 3 anos, exceto casos em que a mulher apresente fator de risco a doença, onde os espaços serão mais curtos, conforme orientação médica.

O exame identifica o vírus do HPV e outras complicações que levam ao desenvolvimento do câncer do colo de útero. Além do Papanicolau, a prevenção também é feita através da vacina contra o HPV.

Porém, mesmo vacinado, o exame deve ser feito regularmente, pois o imunizante não protege contra todos os tipos de HPV. Sem esquecer, é claro, do uso de preservativos durante as relações sexuais.

Por meio do diagnóstico precoce é possível curar o câncer do colo de útero, daí a importância dos exames regulares, que detectam a infecção antes mesmo dos primeiros sintomas aparecerem.

Afinal, o surgimento dos sinais ocorre quando o câncer já está em estágios avançados, dificultando o tratamento, tornando a prevenção a principal forma de combate ao câncer do colo de útero.

Qual a importância da vacina do HPV?

Recomendada pelo Ministério da Saúde, a vacina contra o vírus do HPV é desde 2017 oferecida no SUS às meninas dos 9 a 14 anos e meninos dos 11 as 14 anos. Em clínicas particulares, meninos e meninas a partir dos 9 anos podem se vacinar, sendo que a faixa etária de vacinação do primeiro grupo é até os 26 anos e do segundo até os 45 anos.

Mulheres até os 45 anos e homens até os 26 anos, também são vacinados pelos SUS desde que tenham HIV ou AIDS, tenham recebido transplante de órgãos, medula óssea ou realizem tratamento contra o câncer, mediante apresentação de receita médica.

Aplicada em forma de injeção, a vacina oferecida no SUS é quadrivalente, ou seja, protege contra os 4 tipos mais comuns do vírus HPV no Brasil.

A vacina não age como tratamento contra a infecção pelo HPV ou contra o câncer do colo de útero, terapêutica esta que deve ser orientada pelo médico, o imunizante atua estimulando a produção de anticorpos que combatem o vírus.

Pessoas que já sofreram a infecção do HPV podem ser vacinadas, sob orientação médica, já que a vacina a protegerá contra os outros tipos do vírus. A imunização não é administrada apenas nos seguintes casos:

  • Gravidez, devendo esperar até após o nascimento;
  • Alergia a algum componente da vacina;
  • Febre ou doença aguda;
  • Problemas de coagulação sanguínea ou número reduzido de plaquetas.

Apesar de segura, a vacina pode causar alguns efeitos colaterais, como: dores, vermelhidão ou inchaço local, dores de cabeça, vômito, náuseas e febre. Sintomas facilmente controlados com a administração de antitérmicos, como o paracetamol, e compressas de gelo.

É importante ressaltar que a eficácia da vacina é reduzida naqueles que já tiveram relações sexuais, isso porque o sujeito pode ter sido infectado e não saber. Por isso, o indicado é de que a vacinação ocorra até os 15 anos, de preferência, antes do início da vida sexual.

Campanhas de vacinação nas escolas alertam para a importância da imunização já na adolescência, enquanto a conscientização no Março Lilás, atenta para prevenção do câncer do colo de útero, por preservativos e Papanicolau regular.

Cuide-se, a prevenção é o melhor remédio!

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